Fonte: karateca.net
Fazemos aqui uma avaliação do desenvolvimento do karatê japonês e as observações como Karateca e competidor, desde 1964, de Ricardo D´Elia sobre as modificações do Karatê desportivo:
1- Em 1964 a forma como se lutava numa competição, era exatamente idêntico à um combate na academia, em outubro deste mesmo ano foi fundada a Japan Karate Federation (JKF) no Japão e 3 anos depois esta entidade foi reconhecida como fundação pelo Ministério da educação japonês;
2- De 1967 à 1977, em todas as competições vários atletas interrompiam, prematuramente, sua participação por lesões moderadas ou graves, em 1972 a JKF já integrada a futura WKF e se junta a Japan Physical Education Association.
3- À partir de 1978, pretendeu-se moderar e controlar através de regras mais rígidas, e protetoras, à integridade física dos lutadores, o que de fato não ocorreu pela falta de conhecimento dos professores mais antigos que, tinham como ponto de honra, causar grande dano ao adversário para uma verdadeira vitória (já comentei que nosso técnico, Okuda Sensei, gritava ao lado do Koto: "Mata, mata ...") neste ano o Karate é apresentado no “Torneio de Demonstração de Lutas Nacionais no Japão”
4- No Japão o Karatê passou a ser incluído em 1981 oficialmente no torneio nacional de lutas. Com o aparecimento da WUKO, e durante o Mundial da Austrália (1984), as coisas tomaram realmente um novo rumo onde não era permitido adotar atitudes que caracterizassem um sentido letal nas técnicas de ataque,
5- Em 1988, como técnico da Seleção Brasileira no Mundial do Egito, pude observar mudanças importantes nos combates e a que mais despertou minha admiração, foi a capacidade de ataques em sequência, com combinações de chutes e socos, onde os atletas com comprovada potência nos seus golpes, eram aqueles que obtinham a maior parte dos títulos;
6- Em 1999 a WKF foi reconhecida pelo COI como o representante internacional do Karatê. E em 2001 a JKF realizou o primeiro campeonato nacional masculino e feminino no Tokio Budokan.
7-Mais recentemente estive ainda presente como técnico em dois Mundiais, um Universitário e um Sênior, sempre vendo dezenas de verdadeiros karatecas-atletas "demolindo" e vencendo seus adversários, e raramente um "atleta" vencendo algumas lutas.
Concluindo, acredito que o Karatê deva dar ênfase de forma exaustiva ao treinamento dos fundamentos, mas também ter a possibilidade de enfrentar e expor-se a maior quantidade possível de adversários dos mais diversos níveis, dentro da academia ou em competições.
Lembro, ainda, como é bom e recompensador depois de anos de treinamento, e meses de preparação para uma competição, estar ali sem saber quem irá enfrentar e durante o combate aplicar um soco ou chute abdômen e fazer o adversário dobrar ou cair, ou então um ashi-barai jogando o adversário pra cima e esperando ele descer com um soco, ou quem sabe um mawashi-geri no queixo ou no pescoço o fazendoele ajoelhar-se. Acredito que minha descrição não seja de ballet ou de um monte de pulinhos, é de um ex-competidor e praticante do verdadeiro Karatê.
Para ilustrar meu relato, faço as seguintes perguntas:
Podemos afirmar que Nakayama Sensei (um Educador Físico por formação) estava errado ao elaborar as primeiras regras de competição, como forma de fazer com que os karatecas pudessem avaliar sua capacidade de combate frente à vários outros e no sentido de aumentar o contingente de praticantes?
Podemos afirmar que seu comentário sobre a colaboração da competição na evolução do Karatê é equivocado? Podemos afirmar, generalizando, que o Karateca que fica no seu micro universo, sua academia ou seu grupo, fazendo o "seu" verdadeiro Karatê pode se achar "mais" do que aquele que sai pelo mundo, competindo e trocando, com qualquer um que apareça na sua frente?
Também ressaltamos que o karateca deva estar sempre preparado para fazer uma luta digna contra seu adversário e mesmo quando seja derrotado que se retire do kotô de cabeça erguida.


