As milhares de pessoas presentes nas arquibancadas foi um recorde, e daria inveja até aos campeonatos de Karate das décadas de 60 e 70, quando os ginásios ficavam lotados. O campeontao de Pouso Alegre é um sucesso em termos de apoio. O Exército Brasileiro, o Corpo de Bombeiros e a Secretaria Municipal de Esportes deram todo apoio ao evento.
A tradicional competição nacional de Karate-Do reuniu 9 associações. Associações sim, na verdade cada cidade foi representada não por dojôs, mas sim por associações de dojôs ou clubes. Com alto nível técnico a competição reuniu os melhores do Karatê brasileiro em competições de kata (demonstração) e shiai kumite (luta por pontos). Estiveram representados os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Brasília, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
O Rio de Janeiro que sempre vinha representado e unido pela FKERJ, ganhando os títulos da 3ª, 4ª e 5ª edições, este ano, como no ano passado, estava dividido entre Vasco da Gama e associações de dojôs do Rio de Janeiro. Não foram páreos para a ACEK que compareceu com 300 karatekas, que além de quantidade apresentou qualidade.
A conturbação política vivida pela CBK (Confederação Brasileira de Karate) foi refletida também neste torneio. Em muito se falou de política, e por muitas vezes se observou o desrespeito ao principal agente do Karate, o atleta das categorias de base. Árbitros com má formação, ou talvez até por erros provocados por diferenças políticas que vive hoje a CBK, tenham provocado uma situação de caos na arbitragem.
Três situações nos chamaram a atenção. Em uma delas, um famoso árbitro do Rio de Janeiro se levantou da cadeira de bandeirnha muito chateado e comentou "as associações do Rio de Janeiro ainda reclamam da arbitragem em competições naquele estado, elas deveriam observar a arbitragem deste torneio para nos dar o devido valor". Em outra situação inusitada, havia um karateka adolescente vindo do Mato Grosso do Sul, chorando no alambrado por ter sido "garfado" em sua luta. Ao mesmo tempo, ele era consolado pelos pais de seu oponente que diziam: "você é muito melhor que nosso filho, o resultado da luta foi puramente incompetência da arbitragem". A terceira e pior foi quando um técnico de uma associação de Pouso Alegre partiu para cima de um árbitro central, e quase que saíram para as vias de fato. É o retrato fiel do que ocorre hoje na CBK.
Atletas do Karatê brasileiro, uma riqueza nacional...
Alto nível dos atletas na competição - As melhores karatekas das Américas (as duas no lado direito da foto) Carol Varella e Larissa Barbosa Braga, campeãs panamericanas, tiveram que se contentar com medalhas de bronze.
Por outro lado, e ainda bem, o que mais vem chamando a atenção é a garotada, que também é avessa a política, mas que dá duro dentro dos dojôs. Eles vem transformando as competições de Karate no Brasil em torneios de altíssimo nível. Para se ter uma idéia, as karatekas Carol Varella, bronze panamericano, e Larissa Barbosa Braga, campeã panamericana, tiveram que se contentar, sem choro (será?), com medalhas de bronze. Esperamos que a situação política da CBK volte logo a normalidade para que possamos ter também, a fração tão importante do Karate-Do, que é o esporte, novamente nos eixos, seja com "A" ou "B" na presidência, o que importa é que tenhamos estabilidade.
O nível dos atletas só não é o melhor na Copa do Brasil porque este é o torneio de abertura do calendário oficial brasileiro. Na verdade, é um termômetro para a temporada, onde a preparação por vagas nas diversas seleções estaduais venham a culminar na disputa do título brasileiro de seleções que ocorre no meio do ano. Lá sim, os atletas estarão em seu auge.
E o Dojô Karatê das Meninas???
Jéssica, com o cartaz do evento, e orgulhosa com sua medalha


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