segunda-feira, 9 de março de 2009

A História da 7a. Copa Brasil de Karatê


Vídeo da cerimônia de abertura



A capital do Karatê-Do...

Quando todos os caminhos levavam a Minas. Meninas do Karatê das Meninas na bela cidade de São Lourenço, a caminho de Pouso Alegre, em uma jornada de mais de 700 km, só para trocar alguns socos e chutes.


No dia internacional da mulher, Pouso Alegre, cidade do sul de Minas Gerais, se tornou novamente a capital do Karate-Do brasileiro. Foi a 7ª Copa do Brasil de Karatê, ocorrida nos dias 6, 7 e 8 de março. O palco da Copa foi o moderno Ginásio Poliesportivo do Colégio São José, localizado no centro da bela cidade mineira.




Os jovens no bom caminho...


Gritos de ordem antes da entrada na área de luta. É a parte mais divertida da competição.


Atletas de todo o Brasil em número recorde de mais de 800 participantes. Segundo o discurso do prefeito de Pouso Alegre, feito no domingo, naquele momento eram centenas de jovens ali presente, entre 8 e 17 anos que estavam longe da marginalidade e das drogas, aplicando seus esforços no esporte e na arte marcial. Eles estavam ali desenvolvendo o corpo e a mente, e através do esporte aprendendo a respeitar seus adversários.




Crise mundial que nada!!!


Público recorde embelezou a festa do Karatê

As milhares de pessoas presentes nas arquibancadas foi um recorde, e daria inveja até aos campeonatos de Karate das décadas de 60 e 70, quando os ginásios ficavam lotados. O campeontao de Pouso Alegre é um sucesso em termos de apoio. O Exército Brasileiro, o Corpo de Bombeiros e a Secretaria Municipal de Esportes deram todo apoio ao evento.


Até mesmo a rede de hotéis da cidade deram excelentes descontos para atletas, pais e comissões técnicas das diversas associações. Isto sem falar no patrocínio oficial da Biolab Farmacêutica, que acaba de entrar no cenário esportivo nacional apoiando o Karate. Até a imprensa deu suporte, como a EPTV por exemplo, a afiliada da Rede Globo de Televisão fez larga cobertura do evento.



Em época de campeonato: hotel bom, bonito e barato. Estas são meninas do karatê (Isadora, Larissa, Jéssica e Jade) com suas camisetas personalizadas, dentro do Hotel Pousada Maracanã.



Mudança de eixo na hegemonia do karatê...


As cariocas que se cuidem. O "pessoal do rio Tietê" quer tirar a hegemonia do karatê brasileiro das mãos dos cariocas.


A tradicional competição nacional de Karate-Do reuniu 9 associações. Associações sim, na verdade cada cidade foi representada não por dojôs, mas sim por associações de dojôs ou clubes. Com alto nível técnico a competição reuniu os melhores do Karatê brasileiro em competições de kata (demonstração) e shiai kumite (luta por pontos). Estiveram representados os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Brasília, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.



O Rio de Janeiro que sempre vinha representado e unido pela FKERJ, ganhando os títulos da 3ª, 4ª e 5ª edições, este ano, como no ano passado, estava dividido entre Vasco da Gama e associações de dojôs do Rio de Janeiro. Não foram páreos para a ACEK que compareceu com 300 karatekas, que além de quantidade apresentou qualidade.



O Rio de Janeiro já acendeu o alarme. Não quer perder a hegemonia do Karatê das categorias de base, principalmente, para o maior rival: São Paulo. E, justamente São Paulo foi o grande vencedor da Copa Brasil através da associação ACEK.


O desafio das torcidas...


Mais uma vez a luta começou antes de se entrar no tatame, por conta dos gritos de guerra das torcidas e atletas. Os cariocas dividos entoavam cantos apenas para se digladiar. Esqueceram dos cantos tradicionais de provocação a mineiros, bahianos e paulistas como o "Ê, Ê, Ê, A PRAIA DE PAULISTA É RIO TIETÊ" ou então a entoada no campeonato brasileiro do ano passado "É AQUELE CHORORÔ, CHORA PAULISTA, CHORA MINEIRO, CHORA BAHIANO O RIO DE JNEIRO CHEGOU. Os atletas do Vasco entoavam: "AO VASCO NADA?TUDO!!!ENTÃO COMO É QUE É?CASACA! CASACA!CASACA, ZACA, ZACA!A TURMA É BOA!É MESMO DA FUZARCA!VASCO! VASCO! VASCO!". Os dojôs unidos do Rio de Janeiro em resposta gritavam: "MEENGOOO". Enquanto isso os paulistas emendavam: "ELA, ELA, ELA É TUDO DA FAVELA". E os mineiros completavam: "INHA, INHA, INHA É TUDO DA ROCINHA". Os atletas de Brasília, avessos as provocações, apenas entoavam: "SOMOS ATLETAS DE SELEÇÃO, TROCO PORRADA PELA NAÇÃO".



Conturbação política do karatê e seus efeitos...


A conturbação política vivida pela CBK (Confederação Brasileira de Karate) foi refletida também neste torneio. Em muito se falou de política, e por muitas vezes se observou o desrespeito ao principal agente do Karate, o atleta das categorias de base. Árbitros com má formação, ou talvez até por erros provocados por diferenças políticas que vive hoje a CBK, tenham provocado uma situação de caos na arbitragem.


Três situações nos chamaram a atenção. Em uma delas, um famoso árbitro do Rio de Janeiro se levantou da cadeira de bandeirnha muito chateado e comentou "as associações do Rio de Janeiro ainda reclamam da arbitragem em competições naquele estado, elas deveriam observar a arbitragem deste torneio para nos dar o devido valor". Em outra situação inusitada, havia um karateka adolescente vindo do Mato Grosso do Sul, chorando no alambrado por ter sido "garfado" em sua luta. Ao mesmo tempo, ele era consolado pelos pais de seu oponente que diziam: "você é muito melhor que nosso filho, o resultado da luta foi puramente incompetência da arbitragem". A terceira e pior foi quando um técnico de uma associação de Pouso Alegre partiu para cima de um árbitro central, e quase que saíram para as vias de fato. É o retrato fiel do que ocorre hoje na CBK.





Atletas do Karatê brasileiro, uma riqueza nacional...


Alto nível dos atletas na competição - As melhores karatekas das Américas (as duas no lado direito da foto) Carol Varella e Larissa Barbosa Braga, campeãs panamericanas, tiveram que se contentar com medalhas de bronze.


Por outro lado, e ainda bem, o que mais vem chamando a atenção é a garotada, que também é avessa a política, mas que dá duro dentro dos dojôs. Eles vem transformando as competições de Karate no Brasil em torneios de altíssimo nível. Para se ter uma idéia, as karatekas Carol Varella, bronze panamericano, e Larissa Barbosa Braga, campeã panamericana, tiveram que se contentar, sem choro (será?), com medalhas de bronze. Esperamos que a situação política da CBK volte logo a normalidade para que possamos ter também, a fração tão importante do Karate-Do, que é o esporte, novamente nos eixos, seja com "A" ou "B" na presidência, o que importa é que tenhamos estabilidade.

O nível dos atletas só não é o melhor na Copa do Brasil porque este é o torneio de abertura do calendário oficial brasileiro. Na verdade, é um termômetro para a temporada, onde a preparação por vagas nas diversas seleções estaduais venham a culminar na disputa do título brasileiro de seleções que ocorre no meio do ano. Lá sim, os atletas estarão em seu auge.



E o Dojô Karatê das Meninas???


Jéssica, com o cartaz do evento, e orgulhosa com sua medalha



O dojô KDM, filiado a KIMEKAN, foi até Pouso Alegre representando o Vasco da Gama. Apesar de um desempenho abaixo da crítica da Jade (perdeu por 5x4 na primeira luta), a falta de sorte da Larissa (perdeu por 3x2 na primeira luta) e a estréia da Isadora (perdeu de 5x2 na primeira luta), a também estreante Jéssica Carvalho não deixou por menos. Ela nos trouxe uma medalha de bronze. Com o alto nível da competição, por parte dos atletas deve-se ressaltar, esta medalha vale mais do que ouro.



KDM no pódio com Jéssica

0 comentários:

Postar um comentário

Deixe aqui seu recado