RIO - Com boa parte do corpo à mostra, Michelly Farias caminha pela passarela sob os olhares do público e dos juízes enquanto o apresentador do evento enumera alguns de seus atributos – como os 1,70m de altura, os 67kg de peso e os 30 anos de idade. Pode parecer cena de concurso de misses, mas o livro de cabeceira da competidora em questão não é 'O Pequeno Príncipe'.
É fato que as mulheres derrubaram preconceitos, conquistaram espaço e, hoje, já não desfilam sua beleza apenas em concursos. O que poucos poderiam imaginar, no entanto, é que, mesmo após a queda do rótulo de sexo frágil, a passarela que será percorrida esta noite por Michelly a levará ao octógono, ringue onde são realizadas as violentas lutas de vale-tudo.
A niteroiense é uma das cerca de 50 brasileiras e centenas de estrangeiras que se dedicam ao vale-tudo, que, depois da inclusão de regras para assegurar minimamente a integridade física dos competidores, ganhou o nome de MMA (Artes Marciais Misturadas, em inglês). Nem por isso a modalidade, fenômeno de audiência em países como os Estados Unidos, o Japão e o Brasil, virou coisa de mulherzinha. É preciso ser muito mulher para encarar o octógono, onde socos, chutes, joelhadas, chaves de braço e estrangulamentos costumam definir as lutas. As regras e limitações são as mesmas impostas aos homens: é proibido dar cabeçada, chutar a cabeça se o oponente estiver no chão, puxar o cabelo, dar dedadas ou golpear a genitália. A única regra exclusiva das lutas femininas é a vedação de golpes nos seios, nos quais são usados protetores. O resto vale, como dizia Tim Maia na música 'Vale-tudo'.
– Sempre gostei de luta. Quando era menina, minha mãe me botava no balé e eu queria ir para o judô porque era gordinha. Fiz judô, jiu-jitsu e, por falta de oponentes, comecei a praticar Muay Thai. Aí, vi uma luta feminina de MMA e pensei: ''Deve ser muito bom''. Agora, só quero isso. As pessoas dizem que sou maluca, mas todo esporte envolve algum risco – conta Michelly, inspetora de um colégio e adversária de Ediane 'Índia' Gomes em uma das lutas do Jungle Fight, evento que será realizado no Hotel Windsor, na Barra.
Não é força, é jeito
Michelly explica que as lutas femininas não são tão agressivas quanto as masculinas já que, em sua maioria, são decididas na base da técnica e não pela força. Nem assim conseguiu convencer seus pais a assistirem sua única luta de MMA até aqui, da qual saiu vencedora.
– Quando disse que lutaria vale-tudo, minha mãe apenas me perguntou se era isso o que eu realmente queria. Meu pai não concorda, mas não falou nada. De vez em quando, acontece de quebrar o nariz e ter sangramentos, mas não é nenhum bicho de sete cabeças – diz ela, que treina com homens e não se importa com as cicatrizes e hematomas deixados pelos treinos e combates.
O sonho de Michelly é seguir os passos de brasileiras como Vanessa Porto, Ana Maria, Ana Michele Tavares e Carina 'Beauty but the Beast' Damm, a musa dos ringues. As três estão em atividade desde que o MMA feminino surgiu no Brasil, no início dessa década. Hoje, elas participam de eventos internacionais como o Smackgirl, realizado desde 2000 no Japão e dedicado apenas a lutas femininas.
– O interesse das mulheres pelo MMA é grande. Nos EUA, 48% da audiência das lutas é feminina. No octógono, são verdadeiras guerreiras, até mais agressivas que os homens às vezes. Não param nunca. Por isso, a recepção do público é muito boa. Não há evento hoje que não tenha pelo menos uma ou duas lutas femininas – afirma o lutador e produtor de eventos Walid Ismail.
É fato que as mulheres derrubaram preconceitos, conquistaram espaço e, hoje, já não desfilam sua beleza apenas em concursos. O que poucos poderiam imaginar, no entanto, é que, mesmo após a queda do rótulo de sexo frágil, a passarela que será percorrida esta noite por Michelly a levará ao octógono, ringue onde são realizadas as violentas lutas de vale-tudo.
A niteroiense é uma das cerca de 50 brasileiras e centenas de estrangeiras que se dedicam ao vale-tudo, que, depois da inclusão de regras para assegurar minimamente a integridade física dos competidores, ganhou o nome de MMA (Artes Marciais Misturadas, em inglês). Nem por isso a modalidade, fenômeno de audiência em países como os Estados Unidos, o Japão e o Brasil, virou coisa de mulherzinha. É preciso ser muito mulher para encarar o octógono, onde socos, chutes, joelhadas, chaves de braço e estrangulamentos costumam definir as lutas. As regras e limitações são as mesmas impostas aos homens: é proibido dar cabeçada, chutar a cabeça se o oponente estiver no chão, puxar o cabelo, dar dedadas ou golpear a genitália. A única regra exclusiva das lutas femininas é a vedação de golpes nos seios, nos quais são usados protetores. O resto vale, como dizia Tim Maia na música 'Vale-tudo'.
– Sempre gostei de luta. Quando era menina, minha mãe me botava no balé e eu queria ir para o judô porque era gordinha. Fiz judô, jiu-jitsu e, por falta de oponentes, comecei a praticar Muay Thai. Aí, vi uma luta feminina de MMA e pensei: ''Deve ser muito bom''. Agora, só quero isso. As pessoas dizem que sou maluca, mas todo esporte envolve algum risco – conta Michelly, inspetora de um colégio e adversária de Ediane 'Índia' Gomes em uma das lutas do Jungle Fight, evento que será realizado no Hotel Windsor, na Barra.
Não é força, é jeito
Michelly explica que as lutas femininas não são tão agressivas quanto as masculinas já que, em sua maioria, são decididas na base da técnica e não pela força. Nem assim conseguiu convencer seus pais a assistirem sua única luta de MMA até aqui, da qual saiu vencedora.
– Quando disse que lutaria vale-tudo, minha mãe apenas me perguntou se era isso o que eu realmente queria. Meu pai não concorda, mas não falou nada. De vez em quando, acontece de quebrar o nariz e ter sangramentos, mas não é nenhum bicho de sete cabeças – diz ela, que treina com homens e não se importa com as cicatrizes e hematomas deixados pelos treinos e combates.
O sonho de Michelly é seguir os passos de brasileiras como Vanessa Porto, Ana Maria, Ana Michele Tavares e Carina 'Beauty but the Beast' Damm, a musa dos ringues. As três estão em atividade desde que o MMA feminino surgiu no Brasil, no início dessa década. Hoje, elas participam de eventos internacionais como o Smackgirl, realizado desde 2000 no Japão e dedicado apenas a lutas femininas.
– O interesse das mulheres pelo MMA é grande. Nos EUA, 48% da audiência das lutas é feminina. No octógono, são verdadeiras guerreiras, até mais agressivas que os homens às vezes. Não param nunca. Por isso, a recepção do público é muito boa. Não há evento hoje que não tenha pelo menos uma ou duas lutas femininas – afirma o lutador e produtor de eventos Walid Ismail.








