terça-feira, 1 de julho de 2008

A difícil arte de arbitrar um combate de Karatê

Quadro de árbitros da FKERJ

Quando estamos sentados em uma arquibancada, principalmente quando estamos torcendo, o combate de karate é muito claro. Observamos com muita facilidade todos os golpes. Então nos sentimos a vontade para criticar os árbitros. Por conta disso, foi feita até aquela piada do "desafio do Diabo contra Deus" para um torneio de Karatê.

Nunca foi referido se as regras deste desafio seriam as de Shobu ippon, Sanbon ippon ou WKF. Enfim, Deus desdenhou do Diabo dizendo que que eles não teriam nenhuma chance, pois lá no céu estariam os grandes mestres de Karate-do como os Senseis Otsuka, Mabuni, Myiagi, Oyama e até Gishin Funakoshi. Mas o Diabo se pôs a sorrir e disse: -não se dê por vencido Deus. Lembre que é aqui no inferno que estão todos os árbitros de Karatê.

Pode parecer engraçada e estória mas é no mínimo injusta contra os árbitros. Se por um lado sentado no conforto da arquibancada se vê e se critica tudo, experimenta sentar no banco do bandeirinha por exemplo. A coisa toda muda de figura. E passamos a não enxergar nada.

Os karate-kas de hoje em dia são muito rápidos. Este é um dos motivos dos golpes como Maegeri, por exemplo, serem poucos usados atualmente, devido a esta rapidez fica difícil acertar. Muito mais difícil fica de se ver. Quem já teve a oportunidade de sentar na cadeira de bandeirinha sabe que passamos a não ver quase nada. Quando conseguimos ver ficamos em dúvida. Os braços congelam e a bandeirinha pesa. Depois de uma experiência como esta passamos a respeitar mais os árbitros. E todos vão passar a respeitar mais ainda depois de lerem a primeira pesquisa científica sobre a "Eficácia dos Árbitros de Karatê”.


Esta pesquisa científica foi realizada por David Krueger. Ele estudou os melhores mecanismos de observação que foram vídeos em diferentes perspectivas. A metodologia do "estudo de caso" abrangeu um período de 2 anos. Os árbitros que participaram das pesquisas eram de duas ligas diferentes mas com regras idênticas. Todas as imagens de vídeo foram tomadas dos torneios de adultos e faixas pretas. O resultado foi analisado e posto em análise matemática por estatística.

Um valor impressionante foi encontrado para o número de acerto dos árbitros que beirou os 80%. Caso comparados com outros desportos profissionais este número é bem superior. Conclusão, os árbitros de Karatê não vão mais para o inferno depois de finita suas vidas aqui na terra.


Quem lembra de um jogo entre Brasil e Argentina, onde o centro-avante Túlio fez o gol, duplamente irregular pois foi com a mão e além disso ele estava impedido, mas que deu a vitória ao Brasil, pode pensar que os erros dos juízes são um tempeiro a mais para o esporte. No caso do Karatê, apenas 20% de erro não interfere, salvos raros casos, no resultado final da contenda felizmente.

Por outro lado o trabalho concluiu também que a análise de vídeo pode e deve ser usada para aumentar a eficiência e auxiliar no treinamento dos árbitros. Assim vamos ter um Karatê justo e exato em suas disputas desportivas.

1 comentários:

Unknown disse...

Sei bem oque voce quis dizer nesta pesquisa poi também sou arbitro,Parabens...OSS...

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